Chocalhos Pardalinho
Dar voz à paisagem alentejana.
Antes de ver um chocalho, ouve-se um chocalho. Um som claro, profundo e reconhecível que durante séculos acompanhou os rebanhos pelas planícies alentejanas. Na Chocalhos Pardalinho, os visitantes descobrem como esse som continua a ser criado, afinado e aperfeiçoado pelas mãos de mestres artesãos.
Da chapa de metal ao som de um chocalho
A visita revela todas as etapas de transformação que dão vida a um chocalho.
Os visitantes descobrem como uma simples folha de metal é cortada, moldada manualmente sobre a bigorna e preparada para receber os diferentes elementos que compõem a peça. Depois de envolvido numa mistura de argila e palha, cada chocalho passa pelo fogo antes de revelar a sua cor dourada característica.
"Cada chocalho tem a sua própria voz. O nosso trabalho é encontrar o som certo."
E o som que define a verdadeira identidade de cada peça. Depois da cozedura, cada chocalho é afinado manualmente por mestres artesãos, que ajustam a sonoridade até obterem um toque forte, longo e harmonioso.
Um património vivo
Durante séculos, os chocalhos fizeram parte da vida quotidiana dos pastores alentejanos. Com a modernização da agricultura e a diminuição da pastorícia, este ofício entrou em declínio e hoje restam apenas alguns mestres capazes de o praticar.
Em 2015, a arte de fabrico do chocalho foi inscrita na Lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO. Mais do que reconhecer um objeto, esta distinção valoriza um conjunto de gestos, técnicas e conhecimentos que continuam vivos graças a artesãos como Guilherme Maia e Francisco Cardoso.
Guilherme e Francisco : os guardiões de um saber-fazer único
A história da Chocalhos Pardalinho está ligada à família Maia e à transmissão de um ofício com mais de um século de existência.
As origens da oficina remontam a 1913, quando o mestre chocalheiro José Luís Reis Maia iniciou a sua aprendizagem com o mestre Francisco Barroso. Mais tarde, este conhecimento passou para o seu filho Guilherme Maia.
Em conjunto com Francisco Cardoso, que aprendeu também esta arte apesar de não pertencer à família, Guilherme decidiu continuar este legado. Em homenagem ao mestre Pardal, abriram a manufatura Pardalinho, mantendo vivo um nome ligado à história desta arte.
Hoje, Guilherme Maia e Francisco Cardoso continuam a transmitir este saber-fazer e a formar novos artesãos, garantindo que o som dos chocalhos continue a ecoar pelo Alentejo.
O que vai descobrir
- A história do fabrico tradicional dos chocalhos.
- As diferentes etapas de produção, desde a chapa de metal até à peça final.
- O trabalho manual dos mestres chocalheiros.
- A técnica de moldagem, cozedura e acabamento.
- A importância da afinação do som de cada chocalho.
- A ligação entre os chocalhos e a vida pastoril do Alentejo.
- A evolução de um objeto tradicional para novas utilizações culturais e criativas.
Tudo o que precisa de saber.
Aproveite para descobrir a região.
A visita aos Chocalhos Pardalinho é uma excelente oportunidade para explorar o coração do Alentejo.
A poucos minutos de distância, Montemor-o-Novo convida a descobrir o seu castelo medieval, as ruas tranquilas do centro histórico e uma cena gastronómica cada vez mais dinâmica. A cerca de 30 minutos, Évora, classificada como Património Mundial da UNESCO, reúne alguns dos monumentos mais emblemáticos de Portugal, como o Templo Romano, a Sé Catedral e a famosa Capela dos Ossos.
Pelo caminho, a paisagem alentejana revela-se em toda a sua autenticidade: montados de sobreiros, campos agrícolas e pequenas aldeias onde o artesanato e as tradições continuam a fazer parte da vida quotidiana.
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